Brasil vai extinguir gotinha da pólio por imunizante injetável
O Ministério da Saúde vai substituir a vacina oral contra a poliomielite, a Sabin, pelo imunizante injetável. O motivo da troca, que já ocorreu em outras partes do mundo, é que a injeção é considerada mais segura por ser produzida com o vírus morto, ou inativado. Como a gotinha traz o vírus apenas atenuado, há um risco, ainda que pequeno, de a criança desenvolver a doença.
Oficialmente, o ministério não tem prazo para o início da transição, mas divulgou informe técnico para as secretarias estaduais de Saúde alertando para a mudança já em 2012. O documento recomenda ações intensificadas de imunização “de modo a alcançar coberturas vacinais de no mínimo 95%” e promete a apresentação da nova estratégia para este semestre.
“A Sociedade de Imunizações já espera essa troca há muito tempo e já vinha recomendando o uso da vacina inativada. É uma mudança que já ocorreu em todos os países desenvolvidos, mas não é uma mudança simples”, afirma a médica Isabella Ballalai, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim-RJ).
A vacina oral, com o vírus atenuado, pode provocar uma infecção chamada pólio vacinal. “É preciso ressaltar que o benefício da pólio oral é muito grande. A poliomielite é uma doença transmissível, que incapacita e até mata. Mas há o risco de 1 caso para 800 mil doses de provocar a pólio vacinal. Se nós temos uma vacina mais segura, devemos usá-la”, diz Isabella.
Embora não esteja disponível nos postos de saúde, a vacina inativada já é encontrada nas clínicas particulares. “É uma vacina segura. Nas clínicas, é oferecida conjugada com outras vacinas, como a DTP (difteria, tétano e coqueluche), com hemófilos tipo B (contra meningite) e hepatite B. Acredito que o ministério vá seguir a mesma estratégia. Se isso ocorrer, não deve haver resistência da população a mais uma vacina injetável”, afirma o médico Alberto Chebabo, chefe do Serviço de Doenças Infecto-Parasitárias do Hospital Universitário da UFRJ.
Segundo Isabella, os países que fizeram a transição das gotinhas para a injetável optaram por oferecer a nova vacina nas duas primeiras doses, aos 2 e 4 meses. As demais – aos 6 e aos 15 meses, além das doses de reforço, nas campanhas – são da vacina tradicional, na forma oral. “As duas primeiras doses com a vacina com vírus inativado já garante a proteção contra o vírus da pólio, até mesmo o vacinal”, explica Isabella.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que a incorporação de novas vacinas “segue critérios que são avaliados por grupos de trabalho formados por especialistas. Eles avaliam a tecnologia, custo-benefício e custo-efetividade, além do impacto epidemiológico, imunológico e logístico. Essa análise ainda depende de capacidade produtiva dos laboratórios e de capacitação de profissionais”
(Fonte: Clarissa Thomé - Jornal da Tarde)
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